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O DIABO, O PORTEIRO E A PONTA NARIZ

De vez em quando me dá uma nostalgia! Volto lá pros idos de 70, 80… Coisa de quem viveu tempos difíceis, diferentes… aaaaah… bem diferentes…


Salomão disse que em Eclesiastes 7:10 “Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” Tá certo ele. Quem vive do passado é museu e tem muita gente que é tão amarrado no passado que não vive o presente. E se não vivemos o presente, estamos mortos! O importante é hoje, agora, este exato momento… a única coisa que quero do passado (contando sempre a partir de agora) são as obras que me acompanharão para a eternidade, de resto “vivamos o dia de hoje como se Cristo voltasse agora mesmo” como sabiamente ensina o Pr. Dr. Abner Ferreira.


Entretanto, o Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, deixou registrado em 1º Coríntios 10:11 que “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.” Assim, posso entender que o passado não é para ser vivido, mas, lembrado como um sábio conselheiro.
Se assim é, não é demais refletirmos sobre alguns comportamentos, liberdades e transformações que ocorrem hodiernamente.


Lembro-me de algumas recomendações quando criança: Se brigar na rua, leva uma surra em casa! Se tirar nota baixa na escola, fica de castigo! Dinheiro tem dono, se achar procure-o (que o diga o sr. Paulo, dono das farmácias São Paulo em Glória de Dourados, no interior do MS)! Nunca trate os mais velhos com respeito “sim senhor, sim senhora”! Palavras que fazem parte de uma criança bem educada “muito obrigado, por favor, agradecido…” entre tantos outras frases memoráveis.


A direção escolar não pensava duas vezes em dar uma suspensão ao aluno renitente que se demonstrava contumaz em desobedecer o professor em sala. Não havia preocupação em chamar os pais para dizer: “seu filho vai mal! A culpa era do filho, portanto, estudar, ler, pesquisar…” era obrigatório, mesmo a luz de lamparinas!
As brincadeiras no pátio era boas demais… quanta correria! Uma dessas me deixou em maus lençóis. Olha só: na ânsia de não chegar atrasado a aula após intervalo, pingando de suor (eu e mais uns vinte), corremos apressadamente para o banheiro a fim de aliviar o calor da correria… eu e mais uns dois, erramos a porta e entramos num banheiro feminino. Coisa de segundos, pois, logo percebemos o erro e fomos pro banheiro certo.
Não adiantou! Paramos no gabinete da diretora, ah… dona Genilva! Não me esqueço do seu nome e da lição que recebemos naquele dia. Meu pai dormiu no Senhor sem saber disso e até hoje não tive coragem de falar pra minha mãezinha. Estou revelando aqui. E olha que foi em 1979!


Meu pai, irmão José Secundo de Souza, foi porteiro da Casa do Senhor todos os dias que o conheci… era o primeiro a chegar e o último a sair, ainda, perguntado pro pastor que morava no fundo da Igreja: “o senhor precisa de mim?”


Na Igreja não tinha salas exclusivas para as crianças assistirem os cultos, a exceção era a Escola Bíblica Dominical que tínhamos como professora a irmã Cotinha, uma senhora já de seus 50 anos e muito severa. Ainda lembro de alguns corinhos que aprendi na EBD, um deles nunca se cumpriu como pensava, era este “eu vou crescer, crescer, crescer, crescer… eu vou crescer, crescer com meu Jesus, quando eu estiver desde tamanho assim…” bom aqui pulávamos o mais alto que conseguíamos, queríamos ser altões… naquela época não fazia muito sentido para quem tinha pouco menos de 1 metro, hoje sim, entendo perfeitamente o significado espiritual deste belo corinho!

Crianças se assentavam nos bancos da frente ou junto aos pais.

O culto feito para adultos era interminável e a canseira do dia fazia com que nossas pálpebras declinasse, sendo despertada a custo de um cutucão do irmão José ou de outro irmão ou obreiro. Ficávamos com vergonha, não com raiva, repito, com vergonha de nossa atitude em dormir no culto.

A essas alturas você deve estar se perguntando: “Mas, o que isso tem a ver com o diabo, o porteiro e a ponta do nariz?”. Caaaalma, já chego lá… o maior mal deste século é a pressa! Lembre-se deste conselho “Os pensamentos do diligente tendem só para a abundância, porém os de todo apressado, tão-somente para a pobreza”. Provérbios 21:5.


O pastor era simplesmente formidável e muitas vezes analfabeto, lia com dificuldade a Bíblia (qualquer crente que congregou numa igreja do interior sabe disso), aliás, pastor mesmo não era… era um diácono ou presbítero.
Mais pensa, como levávamos a sério suas palavras. Nem pensávamos em fazer diferente, às vezes, chegávamos ao cúmulo de tentar descobrir o gosto do pastor para poder melhor agradá-lo, até porque, certo ou errado “era o anjo da Igreja”, tá lá na Bíblia e foi Jesus quem tratou assim (Apocalipse 2:1 a 3:22). “Meu filho, obedeça a quem Deus nos colocou para ser nossa autoridade, esteja certo ou errado, pois, Deus nos abençoará pela nossa obediência”, dizia, meu velho conselheiro, eita sabedoria que me dá saudade!

Para namorar pedia permissão dos pais, para noivar, além da bênção dos pais, do pastor era imprescindível. Casamento? Hummm… aí a coisa era mais forte: conselheiros não faltavam, uns para serem ouvidos e guardados outros… nem tanto!

Trabalho não matava… horário pra tudo… era melhor chegar 10 minutos antes do horário aprazado que ficar 60 minutos após por atrasar 10 minutos! A lição era rigorosa. Nunca sair de casa sem a bênção do pai ou da mãe.

E hoje? Bem, hoje… obediência, submissão e principalmente educação são relativos!

E aqui entra o título deste singelo relato.

“Conta-se que numa igrejinha do interior as bênçãos estavam sendo derramadas sem medidas. Salvação de almas, batismos no Espírito Santo, curas, milagres extraordinários, avivamento, alegria, serviço sem concorrência, vaidades ou vanglórias… coisa de dar água na boca de quem ouvia.
Num belo dia, o culto teve início, como sempre, com oração de joelhos por toda a Igreja, inclusive as crianças. Os diáconos e cooperadores como sempre, atentos ao displicente crente que levantava a cabeça para ver o que ocorria, logo, era exortado a orar, focar no céu, afinal, a ordem era: “seja uma bênção para o culto ser uma bênção”. Após a oração, estava sendo entoado os louvores oficiais, quando um senhor apareceu na porta da Igreja querendo adentrar. Para surpresa deste, o porteiro, que avisadamente foi pelo Espírito Santo perguntou-lhe: “Jesus Cristo veio em carne?”. O cidadão resmungou e disse que não podia responder. O porteiro foi mais enfático: “em nome de Jesus: você não pode ou não sabe responder?”. Na hora manifestou-se o diabo e em seguida disse ao porteiro que desejava entrar na Igreja. O porteiro não permitiu, mais o diabo não desistia, queria entrar só um pouquinho. Com a recusa veemente e constante do porteiro o diabo foi embora.
Noutro dia, o culto estava melhor ainda que o anterior. O diabo aparece novamente, quanta insistência! O porteiro, conhecendo-o já barrou o sujeito na porta da Igreja. Voltou novamente a diálogo insistente até que lá pelas tantas o diabo fez a seguinte proposta: “é o seguinte, senhor porteiro, com todo o respeito faço uma última proposta e prometo que se aceitar, nunca mais o perturbarei”. O porteiro titubeou um pouco e terminou, pelo menos por curiosidade querendo saber qual seria tal proposta, até porque queria se ver livre do diabo. Então, disse, “qual é a sua proposta?”. O diabo disse sem pestanejar: “permita-me” apondo o dedo na ponta do nariz, “que ao menos a ponta do meu nariz entre na Igreja e prometo que nunca mais o incomodarei”. Ante a proposta inusitada e aparentemente inofensiva, e a relutância do cramunhão, para se ver livre o porteiro, mais uma vez para ter certeza perguntou: “somente a ponta do nariz e ficarei livre de você?”, “sim, com toda certeza” respondeu o diabo. “Se é assim pode colocar, mas, somente a ponta do nariz” assentiu o porteiro. O diabo, para firmar o contrato ainda questionou: “palavra de cristão é o sim, sim e o não, não, a Bíblia ensina isso, correto?”, animado o porteiro assentiu com a cabeça. O diabo então, virou as costas e, andando para trás, entrou na Igreja. Como o porteiro tinha garantido que a ponta do nariz poderia entrar, então, antes que o porteiro pudesse impedir, não somente a ponta do nariz, assim como todo o corpo satânico entrou na Igreja”.

Antes de me excomungar, me criticar… por favor, leiamos as seguintes Palavras Sagradas:
“Cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus, e tudo isto, ó amados, para vossa edificação. Porque receio que, quando chegar, não vos ache como eu quereria, e eu seja achado de vós como não quereríeis; que de alguma maneira haja pendências, invejas, iras, porfias, detrações, mexericos, orgulhos, tumultos; Que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e desonestidade que cometeram.” 2 Coríntios 12:19-21

“De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tiago 4:1-4


“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.” Gálatas 5:15-16

“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” Tiago 3:13-18

“E estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência.” 2Coríntios 10:6

“Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” Romanos 6:16

“Não deis lugar ao diabo.” Efésios 4:27

Que Deus em Cristo nos ajude a resgatar valores que possam contribuir com a dignidade humana, com o respeito a vida e com o amor ao próximo!

Deus te abençoe!

 

Do servo menor

 

Pr. Davi Secundo de Souza

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